Os fogos de artifícios são usados para varias celebrações, como o “réveillon”, exemplo de comemoração, que tem como objetivo mostrar a grande alegria na virada do ano, quando as pessoas se reúnem para demonstrar paz de espírito. E uma bela forma de expressar esses sentimentos são os fogos de artifícios, com suas variadas cores, luzes e explosões.

O momento da pirotecnia provavelmente se iniciou na Asia, ainda na pré-história. Antecede, em muito, a utilização da pólvora, que teria sido usada já em nossa Era. Enquanto os chamados fogos de artifícios datam de alguns milhares de anos antes e surgiram quando se descobriu que pedaços de bambu, ainda verdes, explodiam e provocavam fagulhas quando jogados nas fogueiras. Isso ocorria devido os bambus crescerem muito depressa, formando bolsas de ar e seiva presas na planta, inchando e explodindo quando aquecidas.

Os ruídos resultantes assustaram os chineses, inicialmente, mas logo passaram a jogar caules verdes de bambu nas fogueiras durante festivais e comemorações, com o desejo de expulsar maus espíritos. Só mais tarde, no limiar de nossa Era, com a descoberta de pólvora, o chamado “fogo químico” passou a ser colocado no interior do bambu, causando notável efeito luminoso e estrondo muito maior. O conhecimento da pirotecnia foi muito difundido na China e na India, muitos séculos antes de chegar à Europa, por intermédio de árabes e gregos. Posteriormente, acresceu-se à pólvora o uso de magnésio e alumínio, metais que produziam brilho intenso e número muito grande de efeitos luminosos.

A descoberta da pólvora ocorreu por acaso, quando um alquimista chinês, por acidente, juntou salitre (nitrato de potássio), enxofre, carvão e aqueceu a mistura que, secando, tornou-se um pó negro, floculante. Exposto ao fogo, apresentou grande desprendimento de fumaça e chamas. Os chineses foram os primeiros a utilizar a pólvora para fins bélicos, usando o interior dos bambus para arremessar pedras, nas contendas entre dinastias. Diz a lenda que os exércitos missioneiros, na “Guerra Guaranítica”, teriam usado artefatos de tacuaruçu, como canhões, na luta contra o exército luso-espanhol. Os canhões de metal surgiram no século XIV e resultaram na primeira grande revolução na arte da guerra, logo seguida das armas de uso pessoal (arcabuz, bacamarte, garrucha), que sucederam à besta, original artefato de guerra individual.

As celebrações com fogos de artifícios hoje são universais, com grande destaque no Japão e México. Ocorrem na abertura ou encerramento de grandes eventos, em especial os esportivos. O uso desses dispositivos pirotécnicos, em certas ocasiões, como a virada do ano, são eventos não raro oficiais, como atração turística, no caso da grande queima de fogos na praia de Copacabana. Atualmente, há uma competição não oficial, onde disputam as de melhor efeito as queimas do Rio, Nova Yorque Londres, Paris, Sidnei, Tóquio, Moscou, a qual “levantou a taça” nesta última; como de resto, toda orla do Rio Grande a pratica.

Há duas espécies de fogos: os visuais e os de estampido. Os visuais são de efeitos voluntários, pois depende da vontade assisti-los, ou não; os de estampido, ao contrário, são involuntários, dependendo apenas da distância para ouvi-los, ou não. Por isso, são os rojões os preferidos nas comemorações de vitórias esportivas ou políticas, por serviram de regozijo para os vencedores e abatimento para os vencidos. E logo haverá as finais do “gauchão”, momento para o campeão extravasar pela conquista tardia há anos, ou nunca sentida. Os fogos são utilizados em celebrações há vários milênios e fazem a diversão da população, devendo ser preservados como tradição universal. Que os neutros e os adversos aos fogos de artifícios sejam tolerantes com essa festiva maneira de comemoração.

Rivadavia Severo