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Opinião – Mitos da reforma da previdência II – Darcy Francisco Carvalho dos Santos

Este artigo deveria focar o que está expresso no próprio título: Mitos da reforma da previdência. No entanto, os últimos acontecimentos em que um número expressivo de deputados, senadores, ministros e chefes de Poderes, aparecem na lista da Odebrecht, dificilmente a reforma sairá, pelos menos, nas condições necessárias. O fato de constar nessa lista, mesmo que tenha sido por uma doação legal _que não é o caso de muitos_ é o suficiente para o parlamentar cair em descrédito para votar uma reforma como a da previdência, que mexe com o sentimento (e com bolso) de uma parcela considerável da população.

A reforma já tem uma oposição muito forte, mesmo dos atuais aposentados, que não seriam atingidos por ela, e seriam os grandes beneficiários no futuro. Num país em que os gastos previdenciários crescem muito acima do crescimento do PIB e continuam crescendo quando este cai, se não fizer grande mudança de rumo, não conseguirá pagar as aposentadorias no futuro.

Nos Estados, especialmente em três deles, MG, RS e RJ, se não for possível aprovar em nível federal o Regime de Recuperação Fiscal que está sendo debatido no Congresso, o colapso citado pode estar muito próximo. No longo prazo, só grandes alterações na previdência podem salvar os estados do colapso financeiro.

Para muitas pessoas, a previdência não é uma questão de números, mas social. Na realidade, previdência é uma questão social, mas é também de números e de demografia, num país como o Brasil que envelhece em ritmo japonês.

A demagogia praticada por muitos na busca da satisfação de interesses imediatos e inconfessáveis cresce de importância quando se precisam mudar políticas que envolvem grande apelo popular. Aliás,, José Ortega y Gasset, já dizia que “é de fato muito difícil salvar-se uma civilização quando chegou sua hora de cair em poder dos demagogos. Os demagogos tem sido os grandes estranguladores de civilizações”.

Só para dar um exemplo, para não me alongar demais: em 2016 havia 25 milhões de pessoas com mais de 60 anos que deverão subir para 67 milhões em 2050, sendo 15 milhões com mais de 80 anos. Já as pessoas em idade ativa se reduzirão de 134 milhões em 2016 para 128 milhões em 2050. Hoje há 5,4 pessoas em idade de trabalhar para uma em idade de aposentadoria. Em 2050, essa relação será 1,9 para 1.

Sem reforma, o Brasil quebra!

Darcy Francisco Carvalho dos Santos
Economista

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