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Opinião – Pela redução do uso de falácias – Marcirio Silveira Chaves

Opinião – Pela redução do uso de falácias – Marcirio Silveira Chaves

As redes sociais cada vez mais disseminam a opinião de seus usuários. A maior parte das pessoas tem opinião sobre praticamente qualquer assunto, desde o ciclo menstrual das ostras até a última medida provisória do governo. Algumas dessas opiniões vêm junto com argumentos, enquanto outras são suportadas por falácias.

Neste ponto, é importante distinguirmos estes três termos: opinião, argumento e falácia. Argumento pode ser definido como ‘prova que serve para afirmar ou negar um fato’ ou ‘recurso para convencer alguém, para alterar-lhe a opinião ou o comportamento’. Opinião é a ‘maneira de pensar, de ver, de julgar’ ou ‘parecer, julgamento emitido após reflexão ou deliberação’. Falácia é ‘qualquer enunciado ou raciocínio falso que simula a veracidade’.

O conhecimento das falácias contribui com nosso pensamento de duas formas: 1. Conseguimos detectar falsos argumentos em um diálogo e 2. Pensamos diversas vezes ao argumentarmos em defesa de uma causa, refletindo se não estamos usando alguma das falácias no meio do nosso argumento.

Existem um conjunto de falácias frequentemente utilizadas como argumentos que induzem a pensamentos completamente distorcidos da verdade. Pretendo ao longo deste ano tratar dessas falácias. A primeira delas é denominada falácia do apelo à popularidade que pode ser decomposta em dois subtipos:

Apelo à popularidade (também conhecida como falácia populista ou apelo à emoção), quando se cria um ambiente emotivo, de entusiasmo e encantamento que favoreça a adesão a uma determinada tese ou produto. Por exemplo:

– “A pornografia deve ser banida. É uma violência contra as mulheres”.
– “Todos sabem que a Terra é plana, então por que você insiste em suas afirmações bizarras”?

No discurso político e publicitário também encontramos frequentemente a falácia populista:

– “Se querem que a saúde melhore, votem no partido X”.
– “Não fique para trás, compre já a casa dos seus sonhos”.
Apelo à quantidade: quanto mais pessoas acreditam em uma proposição, mais provável é a proposição de ser verdadeira, ou seja, se a maioria concorda, então deve estar certo.

– “A maioria das pessoas acredita em Deus, portanto ele deve existir”.
– “A maioria das pessoas acredita em extraterrestres, portanto eles devem existir”.
– “A voz do povo é a voz de Deus.”, o que resume esta falácia.

Todos esses exemplos são raciocínios falsos simulando a verdade. Agora tente fazer o exercício de descrever outros exemplos da falácia do apelo à popularidade. Reparem no perigo que é usar essa falácia no nosso cotidiano e a quantidade de decisões erradas que podemos tomar com base nela. Tente também detectá-la nos discursos políticos e publicitários que ler ou ouvir.

Marcirio Silveira Chaves
Professor e Pesquisador, PUCRS
http://mchaves.wikidot.com
mschaves@gmail.com

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