Muitos me cobram porque não falo de coisas positivas do Estado. Poderia dizer que na economia dividimos com o Paraná a quarta posição. Poderia dizer também que temos a quarta menor taxa de mortalidade infantil do País, uma das maiores expectativas de vida, uma agricultura pujante e uma produção industrial quase 9% da produção nacional.

Tudo isso é verdade, mas não podemos ignorar que vários indicadores indicam que estamos piorando. Por exemplo, o PIB do Estado se descolou do nacional nos últimos anos, por vir apresentando uma taxa de crescimento bem menor, cuja causa principal é a crise das finanças públicas.

Isso tem reflexo nos investimentos estaduais, com destaque para as estradas, que, por serem de más qualidades, acabam por dificultar nossa competitividade. A crise das finanças também tem influência marcante na qualidade do ensino, porque não permite pagar um salário melhor aos professores.
E isso está se refletindo no Ideb (índice que mede a educação básica). Nas séries iniciais do ensino fundamental, baixamos da 6ª posição em 2005 para a 9ª posição em 2015. Nas séries finais, da 4ª para a 7ª posição. E no ensino médio, da 2ª para a 7ª posição, em igual período. 

O governo atual pegou o Estado em péssima situação financeira, condição que vem de antes, mas que se agravou muito nos últimos anos, quando foram feitas despesa excessivas, muitas delas com um índice de crescimento muito superior ao da receita, e até 2018.

O maior problema do Estado não é a dívida, mas é onde pode haver uma redução drástica, bastando para isso aderir ao Plano de Recuperação Fiscal dos Estados, estabelecido pelo governo federal.

Mas, para aderir a esse plano, o Estado precisa, entre outras exigências, vender algumas estatais, para o que necessita de plebiscito, que não poderá sair neste ano, porque a oposição obstaculizou.

Não se trata de vender ativo para gerar dinheiro (ao que também sou contra), mas para atender a uma exigência de um programa, sem o qual faltará para o Estado cerca de 5 bilhões em 2018. E, além disso, ele necessita colocar imediatamente na CEEE R$ 900 milhões para não perder a concessão, dinheiro que nem em sonho o Estado dispõe.

Os que estão dificultando essa negociação, uma vez no governo, terão que praticar a mesma política, porque o Estado não terá receita para enfrentar sua alta e crescente despesa. Ou adere a esse plano ou quebra de vez.

Darcy Francisco Carvalho dos Santos
Economista