Disparada do dólar
Todos concordam que os problemas que o Brasil enfrenta no momento são muitos e diversos e no meio disso tudo a instabilidade no mercado de câmbio somou fortemente para momentos de mais apreensão. Mesmo com uma atuação forte do Banco Central que veio ao mercado vendendo dólar e dizendo que estava preparado e tinha munição para enfrentar esta guerra todos estão de barbas de molho. Hoje a moeda brasileira é uma das que foram mais desvalorizadas. Dólar alto é positivo para os exportadores, mas mesmo assim eleva os produtos no mercado local, pois é necessário pagar o preço fixado por lá. Sobe a cotação da soja e do milho, palmas pelos exportadores, mas estes são componentes importantes da elaboração de rações, mexendo nos custos finais de aves, suínos, etc. A indústria depende fortemente de componentes importados e com dólar elevado os preços finais de produção são alterados forçando o repasse para o mercado local. O petróleo e seus derivados são cotados em dólar, que em alta, atinge a todos e a tudo inclusive no consumo pessoal. Ninguém esta imune dos efeitos da alta da moeda americana, muito mais os emergentes, que lutam com problemas maiores na corrida pelo desenvolvimento.

Vai continuar?
Os analistas estão debruçados em dados, informações, projetando cenários que na verdade são pouco animadores. A valorização do dólar é um fenômeno mundial, que já vem ocorrendo a um bom tempo e com poucas perspectivas de arrefecimento. O mercado espera que a qualquer momento o Federal Reserve aumento os juros favorecendo a atração de moeda que chegam a busca de, além de ganhos a segurança de investimento. Os Estados Unidos vive um momento altamente positivo de sua economia com boas perspectivas de crescimento e aumento no emprego. São dados favoráveis que transformam as verdinhas nas queridinhas do momento. Por aqui, a economia ainda enfraquecida pela recente recessão, destrói as previsões iniciais de um crescimento de 3%, já aceitando algo semelhante ao ano anterior, 1%. A greve dos caminhoneiros provocou alta generalizada nos preços alimentando os índices inflacionários, possibilitando acreditar que logo atinja mais de 4%. Os dados sobre politica atestam a debilidade do governo, com total incapacidade de inspirar confiança nos investidores, sepultando projetos e retraindo aumento de produção. A proximidade das eleições é um componente a mais receita da insegurança. Quem vai vencer as eleições? O grupo que assumira o poder será da direita ou da esquerda? Quais são as suas propostas para a economia? As reformas propostas e necessárias serão implementadas? Com um cenário econômico totalmente adverso e grande incerteza sobre os rumos políticos, a opção do dólar se torna um bom investimento, aumentando a procura e vitaminando a valorização. Somando os aspectos internacionais e os locais é possível afirmar que o rali das verdinhas deve continuar, para cima, às vezes recuando um pouco, mas logo depois voltando aos patamares anteriores, elevados, sem chances de retorno a valores do inicio de ano. O negócio é aprender a navegar nestes novos mares revoltos e tumultuados pois eles devem assim permanecer, pelo menos neste restante de ano.

Atualizando
Existia certa expectativa para ver o que o Boletim Focus traria esta semana após as escaramuças do dólar. A greve dos caminhoneiros abalou o abastecimento e afetou diversos setores da economia e a alteração dos números era evidente. Na ultima pesquisa do Banco Central que ouviu uma centena de economistas do mercado financeiro, publicada esta semana, apontou o que todos já esperavam. O Brasil crescerá 1,94% este ano e pela primeira vez nas últimas 18 semanas as estimativas para 2019, foram reduzidas, ficando em 2,8%. A produção industrial crescerá menos do que as expectativas anteriores, 3,5% neste ano e 3,2% em 2019. No que se refere à inflação as expectativas também ficaram maiores, sendo esperada um IPCA para este ano de 3,82% e 4,07 para o ano de 2019. Em relação a taxa básica de juros foram mais comedidos deixando a Selic como esta e prevendo uma taxa de 8% ao final de 2019. Da mesma forma foram menos pessimistas para o dólar afirmando que ele terminará o ano em R$ 3,50 com o mesmo valor para o ano que vem. É baseado neste cenário de hoje que os especialistas desenham os próximos caminhos da conjuntura econômica brasileira. Fugindo destes, alguns acreditam que com a elevação da inflação, o governo elevará o juro como também insinuam que o dólar pode ficar acima de R$ 3,60. São projeções, sem significar certeza, mas que podem balizar entendimentos e futuras ações. É bom lembrar que este quadro pode ser alterado semana a semana. Inexiste, ainda, a bola de cristal para a economia!

Pense
Quem tem luz própria às vezes incomoda quem esta no escuro.