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Pousada para apreciar azeite de oliva e vinhos especiais

Pousada para apreciar azeite de oliva e vinhos especiais

Um novo empreendimento turístico ligado à olivicultura está sendo erguido no alto de um monte na localidade de Canhada Funda, interior de Caçapava. É uma pousada apart/hotel com capacidade para até 20 pessoas, que abrirá suas portas no início de 2020.

Segundo o empresário de Canoas, Renato Fernandes, 51 anos, a iniciativa tem o intuito de compartilhar com turistas e apreciadores um azeite de oliva puro e vinhos especiais.

O pomar da família Lacerda Fernandes começou a ser plantado em 2016. Enquanto não produz em escala comercial, os proprietários envasam azeites com matéria-prima de propriedades parceiras, o que lhes permite ganhar experiência e posicionar a marca “Vila do Segredo” no mercado.

– O projeto nasceu durante uma visita à indústria da Tecnoplanta, na Vila Progresso. Conheci o azeite Prosperato na Capital. O sabor chamou minha atenção, pois sou apaixonado por azeite de oliva, por ser um alimento sagrado. Foi quando entre uma explicação e outra sobre os processos da olivicultura, que seu Eudes Marchetti, um dos sócios da indústria, deu a sugestão para investir no negócio – disse Fernandes.

Os olivais Vila do Segredo estão localizados em uma área de 15 hectares, às margens da RS357,estrada Caçapava/Lavras. A estimativa é plantar 50 mil pés de oliveira na propriedade e também em outra em Lavras do Sul.
Para o projeto da pousada, o empresário apostou no modelo turístico “hospedagem sustentável”, onde o hóspede participa do preparo das refeições.

– Vamos oferecer cinco suítes com um bom nível de conforto, com custo adequado, sem luxo, no entanto o hospede terá uma experiência única ao provar nosso azeite e apreciar um bom vinho, ainda mais com uma vista panorâmica privilegiada – explicou.

A charmosa pousada está prevista para ser inaugurada começo de 2020. O projeto de construção do prédio sustentável prevê, a implantação de usina de energia solar para suprir a demanda de energia.

– Com isso, evitamos que mais de oito toneladas de gás carbônico sejam jogadas na atmosfera, que é o mesmo que plantar 54 árvores ao longo do ano. Também teremos uma cisterna de 100 mil litros para armazenar a água da chuva para usar nos banheiros e limpeza em geral. O esgoto será tratado através do sistema biodigestor, modelo desenvolvido pela Embrapa – ressaltou Fernandes.

O canteiro de obra conta com a força de seis funcionários, dois são imigrantes do Haiti. Eles já trabalhavam com o empresário em Canoas e vieram recomeçar a vida aqui, depois que seu país passou por terremotos, furacões e graves crises sociais e políticas.

– O legal deste projeto,da nossa família, é saber que o investimento é promissor, que o lugar onde está sendo implantado é maravilhoso e que ainda possui uma função social – finalizou o empresário.

Renato Fernandes e esposa, logo após a compra do campo

 

Herança de nossas origens
O projeto Olivais Vila do Segredo passa por um resgate familiar. Trabalhar com esse alimento sagrado e esta árvore milenar nos traz a sensação de uma missão com gerações futuras. Acreditamos que estamos contribuindo para o desenvolvimento social, oportunizando uma qualidade de vida mais saudável aos nossos descendentes.

A escolha da identidade visual Portuguesa/Castelhana para nosso azeite está ligada diretamente à tradição desses povos no cultivo e uso do azeite de oliva. A Família de Lacerda Fernandes faz parte dessa tradição. Os de Lacerda tiveram seu início na cidade de Toledo, na Espanha, através do Rei Afonso X, que teve seu filho, o Infante Fernando de La Cerda. Esta criança ganhou o apelido de “La Cerda” por causa de tufos de pelos. Afonso de Lacerda e Fernando de Lacerda foram o tronco da família Lacerda.

Já os Fernandes, família essencialmente portuguesa, tem seu embrião na Cidade de Vacaria, com o mais antigo registro através do Bandeirante luso/brasileiro Capitão André Fernandes. Consta na História que em 1637 passou por Vacaria a Bandeira do Capitão André Fernandes, com o filho, Pe. Francisco Fernandes de Oliveira. Esse é o registro dos primeiros Fernandes da região. Com a efetiva fundação de Rio Grande, maior número de indivíduos de origem lusa chegou ao nosso Estado e, em 1747, após a queda dos Sete Povos das Missões, houve incentivo da Coroa Portuguesa em trazer açorianos para o atual Estado do Rio Grande do Sul.

Com a vinda desses colonos, a cultura portuguesa pôde ser difundida no território sul-rio-grandense, sendo uma dessas Vilas a atual cidade de Caçapava do Sul. E por conjunções geográficas e climáticas, o terroair de Caçapava se mostrou idêntico ao País de origem de seus pioneiros.

O cultivo dessa árvore sagrada representa a força e determinação desses dois povos desbravadores.

 

Por Marcelo Marques / Gazeta de Caçapava

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