Audiência pública debate a mineração no Rio Grande do Sul e propostas de desenvolvimento (Foto: Marcelo Bertani | Agência ALRS)

 

A Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa realizou audiência pública sobre o projeto de mineração nas Minas do Camaquã, na tarde de segunda-feira, dia 9. 

O evento com participação de lideranças comunitárias, representantes políticos e ecologistas durou mais de três horas. O empreendimento ainda não recebeu o aval para funcionar da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

O prefeito de Santana da Boa Vista, Ito Freitas (PT), afirmou que entende as posições contrárias à mineração, mas defende que o tema seja tratado com serenidade. “Não é a salvação da lavoura e nem o fim do mundo. Mas pode ser uma porta para a geração de empregos”, acredita.

Com 8.400 habitantes, o município tem um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado. “Nos últimos quatro anos, teve taxa de emprego negativo. Em 2017, o índice foi 4% negativos”, afirmou, revelando que em audiência pública realizada no município no ano passado a ampla maioria da população local se manifestou favorável ao projeto de mineração.

Na mesma linha, o prefeito de Caçapava do Sul, Giovani Amestoy (PDT), disse que é favorável à mineração, pois a região é pobre e precisa gerar empregos. Em duas audiências públicas realizadas no município, a população, conforme ele, se manifestou a favor do empreendimento. “Há empresas de mineração que atuam há décadas na cidade sem criar qualquer problema para a população”, argumentou.

Ativistas e membros das comunidades atingidas temem as consequências da atividade que classificam de predadora.

A representante da Unidade Pela Preservação de Camaquã Márcia Collares afirmou que a comunidade ainda têm “as cicatrizes da mineração no rio”, realizado pela CBC na década de 1980. “Há pouco tempo, ainda sofríamos os resultados ambientais da atividade. Sabemos muito bem o que ela representa para as comunidades pobres e para o meio ambiente. Não queremos ver o Rio Grande do Sul transformado num canteiro de mineração”, frisou.

No encontro, proposto pelo deputado Zé Nunes (PT), ele afirmou que preocupação da população é grande e tem razão de ser.

– Temos informações sobre a insuficiência dos estudos de impacto ambiental e também do fato de que as comunidades não estão sendo ouvidas nem pelas autoridades nem pelas empresas”, apontou o parlamentar, que criticou a ausência de representantes do Ibama e da Fepam na audiência pública.


Com informações da ALRS