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Projeto de vereador causa polêmica no meio rural

Projeto de vereador causa polêmica no meio rural

Guia de Trânsito Animal (GTA) é obrigatória para participação de eventos e aglomerações
(Foto: Fernando Dias Seapi)


Implantar uma ação de defesa como forma de preservar o status sanitário e impedir epidemia de anemia infecciosa e mormo em equinos do município. Segundo o vereador Mariano Teixeira (PP) este é objetivo do projeto de Lei apresentado no início deste mês na Câmara de Vereadores.

Entretanto, veterinários são contrários. Eles argumentam que lei vai beneficiar participantes de rodeios em troca de votos.

– Além disso, é uma maneira do Poder Público apoiar os proprietários de equídeos (cavalos, mulas e burros). Pois hoje, eles investem cerca de R$ 130,00 contratando veterinário para fazer a coleta do sangue para realização dos exames. Caso o projeto seja aprovado pelos vereadores e implantado pela Prefeitura, vai gerar uma redução de até 50%, por animal, aos criadores. O projeto foi pensado para beneficiar o coletivo e garantir o status sanitário do município – argumenta o vereador.

Pelo projeto, a Prefeitura disponibilizará médico veterinário para realizar a coleta do material necessário para realização dos exames e o transporte e a entrega do material coletado no laboratório habilitado.

– Tendo em vista que diariamente um veículo do município viaja à Porto Alegre, minha sugestão ao Executivo é para que um laboratório da capital seja contatado. Assim, a Prefeitura não terá nenhum gasto, pois o veterinário seria do quadro de funcionários e o transporte do material, também não teria custo adicional – ressalta Mariano.

Segundo o vereador, para facilitar o trabalho dos profissionais técnicos do município, os criadores irão organizar os cavalos em uma listagem prévia contendo a quantia de animais que eles desejam que participem da coleta de amostras e depois disponibilizará a municipalidade, por intermédio de um representante que encaminhará a lista ao veterinário responsável.

AGENDAMENTO
Cumprida a etapa, será realizado o agendamento de uma data para a coleta do sangue, devendo antes ser efetuado o pagamento, diretamente em conta bancária de laboratório habilitado, para que a amostra seja enviada. Ficará responsável pelo recolhimento do pagamento o mesmo que entregar a listagem dos equinos a terem o seu sangue recolhido.

O comprovante de pagamento deverá ser entregue ao responsável técnico designado pelo município que então fará o encaminhamento para a amostra ser enviada ao laboratório escolhido. Assim como ele, se responsabilizará pelo recebimento dos resultados, os quais ficaram disponíveis aos proprietários.

– Assim com o cadastro dos animais e o acesso aos resultados a municipalidade terá um controle dos resultados com a finalidade de detectar a presença de animais positivos em Caçapava – explica.

Outro objetivo do projeto é garantir a frequência da participação de equinos em eventos tradicionalistas, como rodeios e Semana Farroupilha.

A legislação sanitária do Estado exige a realização de exames, o que torna oneroso para os criadores. Tais exames são para o controle do Mormo e da Anemia Infecciosa Equina (AIE), doenças contempladas no Programa Nacional de Sanidade Equina que, entre outras medidas prevê a obrigatoriedade da Guia de Trânsito Animal (GTA) para participação de eventos e aglomerações.

– Soube que alguns veterinários não concordaram com o projeto, argumentando que cairá sua receita financeira. Respeito a opinião deles, no entanto, como vereador, tenho que pensar em ações que beneficiem o coletivo, sem gerar gastos ao município. Além disso, o projeto trará benefícios para economia local, uma vez que tenhamos animais infectados, a cadeia agropecuária será prejudicada, causando prejuízo econômico aos produtores rurais – justifica.

OPINIÃO
Na opinião do médico veterinário Sandro Ferreira, o município deve se preocupar com segurança, educação e saúde.

– O resto deve deixar para iniciativa privada. No momento em que a Prefeitura executar o que está proposto no projeto, ela não terá argumento para dizer que não têm dinheiro para as prioridades do município. Investir recurso público para garantir a participação de pessoas em eventos privados é clientelismo em troca de votos – declara.

Para Laerte Lopes, domador e proprietário de um hotel para cavalos, o projeto vai beneficiar os proprietários de animais.

– Hoje está difícil ter cavalos. O exame sai caro, ainda mais para quem tem vários animais. Aprovo o projeto, principalmente para o pessoal dos rodeios – disse.

ANEMIA INFECCIOSA
É uma enfermidade dos equinos causada por um vírus transmitido entre cavalos infectados e não infectados pela transferência de sangue ou derivados sanguíneos. Os animais acometidos apresentam febre, anemia, perda de peso e edema ventral podendo chagas a morte.
Para esta doença não há tratamento, somente o controle através da realização de exames com sacrifício dos equinos positivos. A validade do teste tem duração de 6 meses.

MORMO
O Mormo é uma doença infecto-contagiosa grave dos equinos e tem como agente causador a bactéria Burkholderia mallei; pode acometer além de outros animais o homem. A transmissão ocorre através do contato com fluidos corporais de animais doentes e os sintomas são febre, fraqueza, prostração, descarga nasal purulenta, formação de abscesso nos linfonodos, entre outros.

O tratamento não é indicado, visto que, os animais permanecem infectados por toda a vida, faz-se o controle através da exigência do exame, identificação dos positivos, interdição das propriedades que contenham animais e sacrifício dos equinos reativos.


Por Marcelo Marques / Gazeta de Caçapava

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