Karen pretende para montar a “Rapadura Dusvô”
Foto: Marcelo Marques

 

Uma tradição que ultrapassa o tempo e que já dura meio século continua na família Oliveira, agora com a neta Karen Oliveira da Trindade, 23 anos. O que, a princípio, seria uma forma de conseguir ganhar um dinheiro extra, o mundo das rapaduras acabou se tornando um ótimo negócio para todos os membros da família.

A receita é da avóIzoleta Mota de Oliveira, falecida em 2002, que começou a fabricar rapaduras de amendoim para o esposo Ercil Rodrigues de Oliveira, falecido no final do ano passado, vender na Estação Rodoviária, onde ele trabalhava na limpeza do local. Seu Ercil ficou conhecido na cidade e região como o “Velhinho das Rapaduras”.

Karen que desde três anos ajudava os avós no processo de fabricação do doce conta que sempre pensou em montar uma empresa de rapaduras, mas só agora, depois de perder o emprego em uma farmácia que resolveu colocar em prática o projeto e manter viva a memória dosavós.

– Hoje estou vendendo com minha tia. Ontem (segunda-feira) trabalhamos na BR 290, no Cerrito do Ouro. O trecho está em obra e os motoristas são obrigados a parar o carro e aguardar por um tempo até a pista ser liberada. É quando oferecemosas rapaduras de carro em carro. O trabalho não é fácil, mas é recompensador – disse Karen.

Na futura empresa que deverá ser batizada de “Rapaduras Dusvô”, em homenagem aos avós, a jovem projeta vender rapaduras de amendoim, leite, pé-de-moleque, doce de leite e pão caseiro.

– No momento estou trabalhando para investir na fábrica, comprar equipamentos e legalizar a empresa. Sei que o caminho é árduo, mas também sei que é um bom empreendimento. Algumas pessoas criticam dizem: o que tu quer vendendo rapadura. Acham feio. No entanto, aprendi com meu avô que feio é roubar ou matar. Sempre tive orgulho dos meus avós, pois foi vendendo rapaduras que eles criaram os filhos. A nossa família sabe trabalhar com o produto, agora pretendo implantar uma gestão empresarial – relata.

Para montar o negócio Karen conta com o apoio da mãe, dona Izoleta, mesmo nome da avó. Ela que faz as rapaduras, pois conhece bem a tradicional receita da família e aquele ‘toque’ que diferencia o produto no mercado.

– Claro que também vou colocar a ‘mão na massa’, pois para mim é um orgulho seguir a tradição familiar. É gratificante vender rapaduras, gera uma boa renda, além de tornar a vida das pessoas mais doce. Espero que o povo goste e compre. Assim como compraram por muitos anos as rapaduras do “Velhinho da Rodoviária” – declara.