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Estiagem assola colheita de grãos de verão em Caçapava

Estiagem assola colheita de grãos de verão em Caçapava

Para a próxima safra, produtores ainda terão problemas sérios pela frente, como os altos custos com sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas

Por Cristiana La Rocca Teixeira

Com a colheita de milho e arroz mais adiantadas, e a de soja ainda no início, a safra dos grãos de verão em Caçapava também sofre com os efeitos da seca, que ainda assola a maior parte do Estado. Para este ano, milho, arroz e soja, que somam 36 mil hectares plantados no município, terão prejuízos nas produções, principalmente a soja, que é a maior área cultivada. As chuvas mais tardias, registradas ainda no final de fevereiro e começo de março, salvaram muitas áreas, mas não foram suficientes para abrandar o desalento de muitos produtores caçapavanos. E a previsão dos meteorologistas não é nada animadora: a estiagem deve seguir outono adentro.

Para o engenheiro agrônomo e gerente técnico da Cotrisul, Fábio Rosso, a questão da continuidade da seca nestes próximos meses tem alguns aspectos positivos:

– Acredito que um inverno mais seco será interessante para questões como o andamento de colheita e o aumento nas áreas de trigo do município, além de um preço regular para a cultura, já que, este ano, o produtor precisa, mais do que nunca, de uma renda de cultura de inverno – avalia.

Para a próxima safra, Rosso não vê muita esperança. Segundo ele, os produtores terão problemas sérios herdados de uma péssima safra deste ano, e ainda um aumento excessivo no custo de produção, com fertilizantes e sementes caríssimos:

– Com um cenário desses, os produtores terão que comprar praticamente 100% das sementes, e lidar com um aumento de mais de 20% nos defensivos agrícolas, como fungicidas, inseticidas e principalmente herbicidas. Tudo isso influencia negativamente nos custos de produção ‒ finaliza.

 

Crise dos fertilizantes

 

A guerra Rússia x Ucrânia expôs uma condição amarga do Brasil: o protagonista do agronegócio no mercado mundial, responsável hoje, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), pela segurança alimentar no mundo, é totalmente dependente do mercado externo de fertilizantes. Atualmente, cerca de 80% do adubo utilizado no país é importado, principalmente do Marrocos, da Rússia e do Canadá.

Neste contexto, o governo lançou, em março, o Plano Nacional de Fertilizantes, com diretrizes para diminuir essa dependência, investindo, a médio e longo prazo, no quintal da própria casa, o que poderia reduzir em até 50% esta dependência. Mesmo com o real mais valorizado frente ao dólar, o preço dos insumos agrícolas disparou: uma tonelada de potássio, por exemplo, que antes da guerra custava US$ 300, hoje é vendido a US$ 1,1 mil. Mais um problema que vai cair no colo dos produtores, e consequentemente, dos consumidores, logo ali na frente.

 

Dólar em baixa pode travar custos?

Especialistas do agronegócio enxergam na crise uma oportunidade positiva para os produtores. Segundo o analista de mercado Luiz Fernando Gutierrez, da consultoria Safras & Mercado, embora a estiagem no Rio Grande do Sul sinalize, de um lado, uma rentabilidade menor para os produtores de grãos, a perda de força do dólar frente ao real também pode reduzir o preço de agroquímicos e fertilizantes importados.

– [O dólar em baixa] é um momento que o produtor pode aproveitar para travar custos para a próxima safra – avalia Gutierrez.

Entre os motivos para a recente queda do dólar, os analistas citam o alto preço das commodities no mercado internacional e a elevação da taxa básica de juros no Brasil (hoje em 11,75% ao ano), que torna o país atrativo para os investidores estrangeiros. A tensão no leste europeu também contribui para melhorar a percepção de risco sobre países emergentes, como o Brasil.

– Com a saída da Rússia do sistema financeiro internacional, o fluxo [do capital externo] começa a migrar para outros lugares – destaca Gutierrez.

(Fonte: Valor Econômico)

Áreas do município por cultura (grãos de verão)

Soja: 31.000 ha

Arroz: 3.500 ha

Milho 1.500 ha

Total: 36 mil ha

(Fonte: Cotrisul)

Foto: Vitor Scherer

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