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Sessenta e cinco anos de carteira de habilitação

Sessenta e cinco anos de carteira de habilitação

Artur Dias dos Santos, 91 anos, é um dos caminhoneiros mais antigos da cidade. Ele aprendeu a dirigir caminhão aos 26 anos, com o motorista Marcolino Torres, com quem trabalha na entrega de pelegos na região de Minas do Camaquã.

Seu Artur dirigiu algum tempo sem carteira de habilitação, até quando o denunciaram a Brigada Militar, que o levou para Delegacia de Polícia.

– Lá o delegado resolveu fazer um teste comigo, passei e ganhei uma licença provisória. Até tirar a carteira definitiva em 1952. Logo em seguida o motorista saiu da firma e assumi o lugar dele. Depois dirigi por 20 anos o caminhão-tanque do antigo posto de combustíveis do seu Iduíno Sangali – relatou.

Devido sua experiência, a Cotrisul o contratou para conduzir o primeiro caminhão da cooperativa.

– O presidente da época me convidou, mas eu disse que só sairia do posto se aumentasse meu salário, ele aceitou. Então mudei de firma, trabalhei por doze anos na cooperativa, até me aposentar em 1988, mas não parei, segui dirigindo caminhão por mais cinco anos, fazendo uns bicos. Só não dirijo mais porque os filhos não deixam. O caminhão é minha vida, foi assim que ganhei dinheiro para sustentar minha família, isso me deixa orgulhoso – contou.

Em suas lembranças de viagens, o caminhoneiro recorda do tempo que tinha que atravessar de balsa o rio Camaquã para seguir viagem em direção a Bagé (BR 153) e também entre Guaíba para Porto Alegre (BR 290). Naquela época a estradas eram de chão batido e não tinham sido construídas as pontes nas rodovias.
– Antigamente, dependendo da cidade, levava dias para chegar ao destino, enfrentei dificuldades, não tinha telefone, quando o caminhão quebrava tinha consertá-lo, caso não resolvesse só o que restava era sentar e esperar alguém passar. Outras vezes, me livrei de roubarem a carga, por sorte consegui despistar os ladrões. Vida de caminhoneiro não é fácil, mas é apaixonante, pois conheci muitos lugares e várias pessoas. Fiz grandes amigos, que sempre ficarão na lembrança – finaliza emocionado.

Gazeta de Caçapava
Foto: Marcelo Marques

31.07.2017 – 07h20min

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