Coleção das edições da Gazeta é guardada em três caixas
(Foto: Marcelo Marques / Gazeta de Caçapava)


No dia 16 de julho de 1999 circulou a primeira edição do jornal Gazeta de Caçapava. Naquele ano, conhecido como o ano da desvalorização do real, o presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) tomou posse para o segundo mandato.

As notícias de economia publicadas nos jornais não eram as melhores. Tanto que FHC enfrentou o maior protesto contra seu governo – a Marcha dos 100 mil, organizada pelos partidos de oposição em Brasília.

Diante deste cenário de incertezas no Brasil, nascia em Caçapava um semanário independente a serviço do município, a Gazeta. Primeiro jornal colorido impresso na cidade. A manchete era “Caçapava ganha plano para turismo” mostrando uma bela imagem das Guaritas, uma das sete maravilhas do Estado, registrada pelas lentes do fotógrafo Cleder Nascimento.

Nesta época, seu Luis Antônio Araújo de Oliveira, o Tonho, morador do bairro Promorar, trabalhava de vigilante numa agência bancária e como o banco assinava a Gazeta, pediu ao gerente para levar o primeiro exemplar para ler em casa.

– Depois de todos os funcionários lerem ou matarem a curiosidade de ver como ficou o novo jornal da cidade, com o consentimento do gerente, peguei a edição número um. Assim segui, por centenas de sextas-feiras, levando o jornal para casa. Quando me aposentei do banco assinei a Gazeta e atualmente prefiro comprar no supermercado. Senão vou comprar peço para uma das filhas ou esposa fazer. Elas já sabem, quem for para o centro é obrigado a trazer o jornal – conta.

Tonho guarda as 999 edições em ordem crescente e com anotações na capa dos fatos que chamaram sua atenção.

– Minha coleção é fonte de pesquisa para estudantes do bairro, advogados, principalmente da área criminal e políticos. Nas eleições municipais é uma peregrinação de políticos a minha casa. Eles gostam de ver o que os adversários prometeram e não cumpriram, ou como ele irá responder sobre uma promessa que fez (risos). Uma vez um assessor tirou quase um dia aqui, lotou a memória da máquina tirando foto das páginas e gastou a bateria do celular para registrar as notícias “ruim”, é claro, do opositor – revela dando gargalhadas.

“Promorar assustada com abate e consumo de cães”, publicada no dia 26 de julho de 2009, foi a notícia que mais chamou a atenção do leitor/colecionador nos 19 anos do jornal.

– Fiquei chocado quando li a capa, pois o crime aconteceu aqui no bairro. Além da crueldade contra os animais, me impressionei com o fato de que várias pessoas consumiram a carne, aquilo me embrulhou o estômago – disse.

A página policial é uma das preferidas de seu Tonho, mas ele também gosta de ler as colunas dos colaboradores.

– Gosto de ficar por dentro da economia, por isso, sempre leio a coluna do economista HarriGervásio, as histórias das professoras Anna Zoé e Maria Augusta, os fatos históricos do Caçapava Memória, da Fátima Jovane, enfim leio toda a Gazeta, até as propagandas, não deixo passar uma letrinha. Sempre gostei da leitura, a gente sempre aprende – ressalta.