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22 DE ABRIL

22 DE ABRIL

22 de abril de 1500, data memorável: Descobrimento do Brasil

A carta de Pero Vaz de Caminha o descrevia como uma terra – talvez uma ilha -cheia de matas, paisagens exuberantes e aprazíveis. Habitada por indígenas, reunidos em tribos que se alimentavam da pesca, da caça e de produtos naturais da terra. Tudo em abundância. E com a ingenuidade de crianças que trocavam minerais preciosos, ouro, prata, pedras preciosas por quinquilharias que os invasores lhes ofereciam.

E os olhos cobiçosos dos colonizadores daí em diante não pouparam suas riquezas.

Entretanto, o espírito cristão dos europeus descobridores lembraram de saudar a descoberta com uma missa campal, assistida por eles e pelos índios, em clima de confraternização imortalizado na tela de Pedro Américo.

Na Escola Primária de minha época, primeiro como aluna e mais tarde professora, esta data era carinhosamente festejada com hinos, poesias e cânticos, ensaiados nas aulas de Arte e muitas vezes gravados em álbuns com figuras e poemas. Lembro de um trabalho muito bonito ilustrando a poesia: “Ama com fé e orgulho/ a terra em que nasceste/ (…) Vê que mar, que rios, que florestas(…)” E nosso peito se enchia de admiração e patriotismo, considerando-nos herdeiros de uma nação rica de todos os tesouros, mãe amorosa que nos nutria com seus produtos inacabáveis, porque nossa natureza era pródiga e abençoada.

Outra vez 22 de abril, séculos depois, data que marcou o nosso desencanto.

Em meio à maior pandemia do mundo, o mortífero Covid19, para o qual ainda não existem nem vacinas nem remédios, a reunião ministerial que esperávamos fosse para traçar medidas de proteção ao povo brasileiro, eis que vem carregada de assuntos de discórdias, ódios contra as instituições democráticas, órgãos do Legislativo e do Judiciário, ameaçando de cadeia aqueles que, dentro de suas atribuições, defendendo a democracia a e a Carta Magna, tentassem punir desobediências a seus preceitos, principalmente as cometidas pela cúpula do governo, Presidente, seus filhos e filiados confessos.

Em vez de Vossa Excelência, Eminência, e mais tratamentos de respeito comumente usados nas altas Cortes, ouviram-se palavras de baixo calão, nomes feios –  trinta e sete no total –  quando Ministros da Defesa, do Meio Ambiente e da Educação se manifestaram exigindo cadeia aos do Supremo que discordassem de suas absurdas atitudes de descumprimento às suas obrigações de salvaguardas  do país e de seu povo. E de fomentadores da desordem e do conflito da sociedade civil.

A única alusão ao problema que já vitimou mais de trinta mil brasileiros e atingiu meio milhão que estão nos hospitais e UTIs com risco de vida e sofrendo por falta de socorro, equipamentos, medicamentos, agentes de saúde e pronto atendimento, foi quando o Ministro do Meio Ambiente sugeriu aproveitarem a Pandemia para entreter a mídia, enquanto pudessem mudar os estatutos da terra e aproveitar-se das riquezas da Amazônia. ”Abrir as porteiras… e deixar a boiada passar.”

Nenhuma palavra de solidariedade e conforto às famílias enlutadas, aos idosos isolados e sem visita presencial; às saudades dos filhos, esposos, esposas, separados três meses seguidos por questões de trabalho em hospitais; de doentes morrendo à espera de uma vaga na UTI ou respiradouro; de parentes sem saber notícias de seus enfermos queridos; ou sem o direito de dizer-lhes o último adeus…. Nada disso foi sequer cogitado na desastrosa reunião ministerial de 22 de abril de 2020.

Que deixou marcas profundas, eclodindo em manifestações de ódio e confronto nas ruas das principais capitais.

O Brasil já teve muitas revoluções nos seus séculos de vida, mas como essa que nos ameaça agora – que Deus nos livre – instigada pelo próprio Presidente para “salvar” sua família e amigos das consequências de seus deslizes, como essa nós nunca vimos.

Sair à rua em manifestações ruidosas, desobedecendo acintosamente às medidas de proteção contra o vírus recomendadas pela OMS e os Ministros da Saúde já demitidos, é um exemplo de indisciplina e desrespeito à saúde e à vida de seus cidadãos. E colocar no Comando da Pasta, que deveria ser a mais atendida nesse momento, pessoas leigas na  Medicina é um profundo descaso a tão doloroso assunto.

Ainda bem que somos uma República Federativa e podemos contar com a responsabilidade de nossos governadores e Prefeitos. Cada um na sua casa. Lá estaremos cuidando de nós mesmos e do próximo. E rezando.

Deus nos acuda!

   Anna Zoé Cavalheiro

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