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Chapoeiradavac

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Andei uns dias finais de 2020, e outros iniciais de 2021 pela serra Catarinense, no interior, onde clima e costumes em muito se assemelham aos nossos do Planalto Médio e Serra Gaúcha pela proximidade e origem da população. Sem aglomeração, é claro, a não ser a montoeira de pinhas que já crescem nos galhos das majestosas araucárias. Neste ano, vai dar para debulhar muita pinha para fazer paçoca de pinhão e algumas sapecadas de grimpas nos dias de frio intenso de abril em diante.

Embora meio “fora” do mundo, não deixei de acompanhar pela mídia nacional a disputa política entre o Governador Dória – SP e o Presidente Bolsonaro no protagonismo da vacinação nacional contra o corona: a Anvisa, que é um organismo de Estado, mas que tem seus integrantes nomeados pelo governo e pagos pelos contribuintes, não liberava a dita cuja enquanto o governo federal não adquirisse os insumos para a operação a nível nacional, e o governo de SP, que já possuía tais insumos (seringas, agulhas, etc), não podia vacinar sem a liberação da Anvisa.

Pensei um bocado, e me dei conta de que esse corona só apareceu e se alastrou porque muitas coisas antigas, tanto costumes quanto conteúdos, desapareceram pelos efeitos da modernidade, abrindo espaço para o invasor de alhures. Por que não inventar uma “chapoeirada” com produtos antigos, em desuso e não contamináveis, resistentes ao tal bichino. A saber: portentosa infusão de mel de lechiguana (quase extinta pelas lavouras de soja e seus venenos); carne de porco guardada na lata de banha; leite de égua parida (muito bom para a coqueluche); carrapaticida dissolvida em água de banheiro de gado com leve percentual de esterco diluído; pó de carvão de corticeira, antes utilizado para curar corte no couro das ovelhas tosquiadas; garrafadas e xaropes receitados pelos saudosos Mário Bitencourt e Piraju Nicola para todo e qualquer tipo de mal; querosene de matar formiga, daquelas latas de 20 litros; elixir de Catinga de Mulata; óleo de fígado de bacalhau; Biotônico Fontoura; óleo de rícino; e purgante de sal pra limpar as tripas no final do tratamento.

Se não funcionar com esta “xaropeada”, e/ou algum leitor tiver uma receita melhor e mais barata de que se lembre, estamos receptivos à sugestões que enriqueçam nossa fórmula em apreço. Ela ainda não foi patenteada, porquanto se aperfeiçoa, pois alguns testes empíricos iniciais atestaram 49,27% de eficácia, “poca cosa” melhor que chá de losna bem quente. Até porque recém autorizaram oito milhões de doses para os brasileiros. Quem sabe os outros duzentos milhões se imunizam com a minha invenção revolucionária? Se der certo, vou querer dar uma entrevista para a Rede Globo em cadeia nacional, igual aos governadores recebendo a vacina. A dosagem será numa guampa daquelas de tirar erva da lata para botar na cuia.

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