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INVERNIA E PANDEMIA

INVERNIA E PANDEMIA

Choveu o dia inteirinho, uma chuvinha mansa e renitente, caindo fria e molhada como só ela sabe cair em tempos de invernia, das brabas. Nem aquela estiagem do meio dia, quando aparece um solzinho envergonhado por detrás de alguma nuvem mais rala, aconteceu desta vez.  Bueiros transbordaram, ruas alagaram, sangas e arroios saíram dos seu leitos e algumas pessoas tiveram que sair de casa escorraçados pela enchente.

As crianças encerradas em casa, pois nem aula presencial havia por causa da pandemia, cansaram de brincar e acabaram brigando; idosos sentados defronte da TV com cobertores nas pernas e meias de lã grossa nos pés, próximos da lareira acesa desde manhã bem cedo, cochilaram despreocupadamente e até as pessoas que trabalhavam em suas lojas e escritórios perderam-se na falta de vontade. Os animais domésticos esqueceram de cuidar da casa, madormando enrodilhados numa ponta de tapete, mendigando uma réstea de calor das brasas rubras de angico seco retirado do mato do arroio no tempo da seca e vendido na cidade a cinco “pila” o toco. Ou toras de acácia e achas de eucalipto e faxina.

Os carros circularam pelas ruas enlameadas apenas nos casos de maior necessidade ou alguma urgência inadiável. Sobrou para os entregadores de moto fazerem os serviços sujos ou, melhor dizendo, sujaram-se de lama para executar seus serviços rotineiros das entregas a que já estavam acostumando pela situação dos últimos quatro meses.

E eu, pobre velhinho do grupo de risco, em casa, enjaulado como um leão decrépito esperando ração para dormir mais um pouco. Cheguei a uma conclusão óbvia e natural: nossos tempos de invernia são sempre bons para um pensar interior, uma leitura, uma escritazinha descompromissada e até para brincar com os netos pequenos para quem os pais atarefados não destinam muito tempo. Agora, invernia com bandeira vermelha e o CORONA soprando na nuca ou espiando na esquina não é nada fácil de suportar. Ainda bem que dizem que não se propaga ao ar livre. Aí também não seria possível que um único pingo desses milhares ou milhões que caíram nesse início de julho não tivessem derrubado uma meia dúzia desses vírus que andassem voando rua afora sem proteção nenhuma contra as intempéries do inverno gaúcho.

Pra terminar de “matar”, depois das grande precipitações chuvosas ainda vieram as geadas de branquear os campos e intanguir os de pouca roupa. Sá faltava inventarem agora que o tal asiático também aguenta friagem. Aí sim seria a total desmoralização das nossas invernias: não servirem nem para matar CORONA. Que praga tchê! É pior que gafanhoto argentino!

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