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O CORONA E A VAIDADE FEMININA

O CORONA E A VAIDADE FEMININA

Neste isolamento social inédito no mundo todo, tenho mais pena dos homens. As mulheres acham muita coisa para entreter-se em casa: faxinas, troca de lugar de móveis e ornamentos, busca de fotos e lembranças antigas e novelas, enquanto as mãos vão tecendo trabalhos de linha, pano ou lã.

Os homens prudentes abstêm-se do cafezinho com os amigos, da prosa nos bancos da XV em frente às Lotéricas e das rodas de chimarrão. Entretanto, já se passaram três meses, pois começamos esse retiro no início do outono, já estamos chegando ao inverno, e o isolamento ainda não tem data para acabar.

Agora as mulheres estão-se preocupando com a aparência. Cabelos, unhas, pele sem os cuidados de um Salão de Beleza. Mirando-se no espelho, ficam deprimidas com sua imagem tão negligenciada. Têm medo que no final da pandemia, na claridade das ruas, nem sejam reconhecidas.

Sentem falta daquele corte de cabelo que o profissional, num só golpe da tesoura, consegue disciplinar as mechas agora rebeldes, ao contrário das freguesas que por mais que tentem fazer o mesmo em casa não conseguem esse efeito.

E as unhas, então! Como igualar o trabalho da manicure que com destreza apara as cutículas, lixa e passa o esmalte, dando uma nova aparência às mãos e pés.

As separações dos familiares são mitigadas pelas redes sociais que os colocam on-line e mostram o que estão fazendo no momento, dando-nos uma ilusão de proximidade. Sabendo-os a salvo e felizes, isso nos satisfaz e alegra.

E as amigas têm hora marcada com a gente para um whatts ou telefonema, e as queixas são as mesmas. Ainda não apareceu um substituto tecnológico que nos satisfaça a vaidade. Entretanto, não é só de maquiagem que se produz um look ideal. Por experiência própria, no tempo em que se saía à rua sem máscara nem distância de dois metros, o encontro com pessoas
agradáveis, os sorrisos e comentários “como estás bem”, “não envelheces”, os abraços e desejos de felicidade acrescentavam um novo colorido ao nosso visual.

De volta a casa, não importava o vento que nos despenteava, o calor que deixava nosso rosto lustroso – ou pelo menos o nariz – o fato é que nossa pessoa era outra, mais bonita, bem amada, vibrante e feliz. Mais uma prova de que somos criaturas feitas para amar a si mesmas e a seus semelhantes.

Não somos uma ilha. Precisamos dos outros para nos sentirmos completos. E eles precisam de nós.

Anna Zoé Cavalheiro

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