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Os beija-flores

Os beija-flores

O grande e injustiçado Mário Quintana, poeta filho do Alegrete que morreu há alguns anos, hospedado no antigo Hotel Magestique – hoje fundação cultural que leva seu nome, em POA – escreveu certa feita a respeito de seus críticos literários que “todos esses que atravancam meu caminho, eles passarão e eu passarinho” (não sic). Pois, apesar da obra e dos reconhecimentos múltiplos, o Mário nunca foi indicado para tornar-se um imortal da Academia de Letras do Brasil, mas José Sarney e Fernando Henrique foram…

Conto-lhes que, neste veranico de 2021, ando encantado com um bando de beija-flores que resolveram aparecer, assim repentinamente, pelos arredores da minha casa, bicando as flores dos ingazeiros. Alguém dirá que estou virado num sem fundamento, fora de combate, agarrando para me distrair com passarinhos. Pois ando mesmo, já quase me transformei num ornitólogo. E por que não? Já temos tanta gente perdendo tempo com tanta coisa sem fundamento que eu serei apenas mais um entrando nesse corredor dos sem serventia da vida, assim sem cerimônia e assumido, no más. Alguns cuidam dos cachorros das ruas, eu cuido de passarinhos. E, também, existem pessoas que não tomam conta nem de si mesmo. E outros que tomam conta da vida de todo mundo, fofoqueando.

O poeta aquele a que me referi soube dizer aos seus desafetos que não estava nem aí para os seus “críticos especializados”. Acredito que ele tinha razão. Chega uma hora na vida da gente que é preciso assumir a petulância, a prepotência, com respeito a certos temas de domínio privado. Bem assim mesmo, empinando o nariz, de máscara, a encarar o mundo como se fosse um pedaço do nosso potreiro de invernar sinuelos. Aqueles de pontear tropeadas pelos corredores da vida, já que cada um tem a sua e ninguém tem nada com isso. A não ser aqueles que pagam as nossas contas, aos quais a gente vai morrer devendo obrigação. Mas esses estão cada vez mais escassos, e são poucos os que ainda aceitam paparicar marmanjos nesses tempos nossos hodiernos e odiosos por falta de solidariedade e compaixão humana.

Por tudo isso é que admiro os beija-flores e outros avoantes libertos ao derredor das flores que os homens já não dispõem mais de tempo para notar, nem sequer para admirá-las, e quem dirá saborear os seus perfumes. As gentes de hoje gastam seu tempo no propósito único de ganhar mais e mais dinheiro para melhorar de vida, sem se darem conta de que, para viver bem, não precisa morrer de trabalhar. É preciso sim saber priorizar o tempo, e utilizá-lo de acordo com aquilo que melhor lhes aprouver para ser feliz. Ah, e há um bom tempo para semear e outro melhor para colher e uma felicidade especial para cada um.

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