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Todo o cuidado é pouco!

Todo o cuidado é pouco!

Sempre é bom voltar a este assunto, porque o conhecimento a respeito disso evita conclusões indevidas e, muitas vezes, tomadas de decisão erradas, com consequências indesejadas. Sempre que se fala em números, é importante ter cuidado. Em primeiro lugar, saber sua procedência, sua fonte, e, também, observar o que está sendo comparado e analisado, pois, dependendo, o resultado pode ser diferente. Claro que a imprensa escolhe sempre o que interessa mais para turbinar a audiência. Nos casos dos que recebem as informações, é necessário algum filtro para possibilitar um melhor entendimento do fato. Isto colocado, passamos, agora, à análise do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre.

PIB cresce 7,7% no terceiro trimestre

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB brasileiro cresceu 7,7% no terceiro trimestre de 2020 em comparação ao segundo trimestre. Um verdadeiro recorde! Já de inicio, é importante saber que, no segundo trimestre, o tombo foi de 9,6%. Comparar números positivos com negativos distorce a realidade. Imagine a informação única de que o Brasil cresceu 7,7% num trimestre. Isso é crescimento da China. De julho a setembro, a indústria cresceu 14,8% ‒ porém é bom destacar que ela esteve praticamente parada no período anterior – e os serviços cresceram 6,3%. Foi um bom desempenho, mas incapaz de compensar as perdas motivadas pela pandemia. Os números registrados já eram esperados por grande parte dos economistas, mas ficou um pouco abaixo das projeções do mercado, que indicavam mais de 10%. Embora os resultados favoráveis neste último trimestre, existem fortes sinais de arrefecimento no ritmo da atividade econômica para estes últimos meses do ano. Os resultados serão bastante diferentes dos últimos verificados. Pelo jeito, a recuperação em V será interrompida! Com base nestes dados e na extinção do auxílio emergencial no ano que vem, os prognósticos para 2021 são pouco promissores. O sinal será positivo, mas a redução do consumo das famílias com a falta do auxílio deverá prejudicar e reduzir as expectativas. Se acontecer um crescimento em torno de 3% no ano que vem, já é lucro. Caso o auxílio emergencial seja mantido, as projeções devem ser alteradas para números mais favoráveis.

PIB caiu -3,9% no terceiro trimestre.

Olhando o título anterior, parece que o colunista cometeu algum erro, mas o que se pretende é chamar a atenção para o modo com que os dados devem ser analisados. Quando as informações do terceiro trimestre de 2020 são comparadas às de 2019, o resultado se altera. Nesta comparação, o tombo chega a -3,9%, sendo esta a terceira queda consecutiva quando a comparação é com dados do ano passado. Neste caso, ao invés de crescimento, a indústria sofreu uma queda de -0,9%, e os serviços, de -4,8%. No acumulado do ano até o terceiro trimestre de 2020, o PIB caiu -5% em relação a igual período de 2019. Segundo analistas, a luta para igualar o PIB de 2017 continua ferrenha. Números, números… Eles estão aí, são os mesmos, mas depende da maneira como são olhados e comparados. A economia do último trimestre pode ter apresentado resultados positivos e negativos, dependendo de como se analisa. Pelo momento presente, convivendo ainda na pandemia, quando tudo fica cheio de incertezas, os dados de julho, agosto e setembro foram positivos, mas são inferiores aos verificados antes da crise sanitária e devem perder força ao longo do próximo período.

O assunto do momento

O assunto do momento é a inflação. O último indicador divulgado foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que apontou um crescimento de 0,89% em novembro, o maior resultado desde 2015. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulou 4,31%, ultrapassando a meta central do governo, que é de 4%. Isto é resultado da alta nos preços das commodities que têm cotação em dólar: soja, minério de ferro, açúcar, trigo, etc. Outro fator que influenciou foi a pandemia, que paralisou tudo, interrompendo a produção e diminuindo a oferta. Com menor oferta, maior preço. Também o auxílio emergencial colocou mais dinheiro em circulação, favorecendo o consumo. Maior consumo, alta nos preços. O governo pode fazer alguma coisa? Neste caso, muito pouco, uma vez que se trata de desequilíbrio entre oferta e procura, e a tendência é de que o ajuste aconteça naturalmente dentro de alguns meses. Como o governo é liberal e aposta nas leis de mercado, qualquer intervenção mais incisiva pode causar problemas maiores do que apenas o acompanhamento. O preço da carne está elevado e somente será resolvido quando existir maior oferta ou menor demanda. O preço da batata está elevado e será resolvido apenas quando a produção aumentar. Isso é mercado.

Pense

Aquele que acredita que o dinheiro é tudo pode ser suspeito de fazer tudo por dinheiro.

Harri Gervásio

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