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Um Olhar para a Vida – A busca da felicidade – Anna Zoé Cavalheiro

Um Olhar para a Vida – A busca da felicidade – Anna Zoé Cavalheiro

Os fogos de artifício já vão longe; os espumantes e a lentilha terminaram; agora é enfrentar o ano que começou tão diferente! Novos governantes assumindo, novas ideias de gestão, novas caras nos três poderes… Mas algumas ainda teimando em permanecer nas presidências das Casas Legislativas. Que Deus nos acuda!

As pessoas comuns conservam a esperança em dias melhores. O povo está mais consciente do que nunca, sabe o que quer, aprendeu a duras penas. E agora pensa em cobrar de seus representantes.

Todos almejam a felicidade, pois para isso fomos criados. Riquezas, poder, fama, nada substitui esse sentimento de paz, de gratidão, de satisfação pelo que somos, pelo que temos e podemos fazer com nossos méritos e a graça de Deus. Mas nem todos chegaram ainda a essas conclusões. E como a antiga novela radiofônica “Em Busca da Felicidade” continuam à sua procura onde ela não se encontra. Em coisas materiais ou vícios que não alimentam nossa alma.

Lembro um casal amigo em lua-de-mel, que não cabia em si de feliz! Mas, a exemplo dos antigos chineses, que tinham medo de ostentá-la e se curvavam diante de seus deuses dizendo-se uns pobres miseráveis, eles procuravam não demonstrar seus sentimentos a fim de afastar invejas.

Certa vez, numa roda de colegas que eu acabara de conhecer, trocávamos informações de onde éramos, nossa família e coisas de nossa vida. Foi então que eu disse: “Graças a Deus tenho meus pais vivos.” Uma colega reagiu, indignada: perguntou se eu não temia magoar alguém ali presente que não tivesse a mesma sorte. Fiquei chocada, não era a minha intenção. Depois, acabei sabendo que sua mãe cometera suicídio. Por dois anos convivemos civilizadamente na mesma escola, mas não chegamos a ficar amigas.

A partir daí, passei a agir como os chineses, não alardeando minhas bem-aventuranças. Nos supermercados, disfarço minha satisfação ao ver as gôndolas coloridas de tantas frutas e hortigranjeiros, de medo que um venezuelano esteja próximo, sofrendo com tanta penúria em seu país.

Mas cada vez mais me convenço de que para sermos felizes temos de desprender-nos de nós mesmos e pensar nos outros que nos rodeiam e precisam de nós, de uma palavra amiga, um abraço, um sorriso. Sêneca, um filósofo que viveu antes de Cristo, já pregava esses mesmos ensinamentos. Fazer o bem nos deixa felizes.

Quanta doença atual nada mais é do que a falta de empatia, de colocar-se no lugar do outro e ajudá-lo. Assim, esquecemos nossas dores e ficamos curados.

A felicidade já é matéria estudada nos currículos das escolas e faculdades. Pois pessoas felizes levam ao progresso de uma nação. Povo saudável de espírito não necessita de tantos Prontos Atendimentos e presídios, porque o mal vem de dentro de cada um, como disse Cristo aos fariseus que criticaram os apóstolos por não se banharem antes de sentar à mesa. E os recursos públicos se encaminhariam para obras de infra-estrutura que tanto nos fazem falta para ombrear-nos com outros países que já descobriram o caminho da felicidade.

Um venturoso ano para todos nós!

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