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Um Olhar para a Vida – A pressa – Maria Augusta S. Alves

Um Olhar para a Vida – A pressa – Maria Augusta S. Alves

Fruto de nossos dias, a pressa é um denominador comum entre os seres humanos.

Num magnífico texto de J.J. Camargo, ele diz que, segundo veteranos, esta aceleração começou na metade do século XX.

Antes, havia tempo para conversas entre vizinhos, visitas quando nascia um nenê (que era participado de casa em casa); tardes de reuniões de senhoras tricoteiras à beira de uma aconchegante lareira, chás caprichados de aniversários.

Tempo para conversar com os filhos, para contar-lhes histórias, ensiná-los a rezar.

Os homens sentavam nas cafeterias para falar de futebol e de política. Frequentavam botecos para apreciar os bolinhos de bacalhau, de camarão e para beber seu aperitivo.

Os casais sentavam nas praças, aos domingos, ouviam músicas e iam aos cinemas.

O trânsito era calmo, sem as tranqueiras atuais; não havia assaltos nos ônibus e lotações, portanto, era gostoso sair à noite.

Nos restaurantes e “boites” não havia perigo de invasão de bandidos armados.

Os clubes promoviam bailes inesquecíveis, onde os sócios confraternizavam e se divertiam.

Aqui em Caçapava, lembro que saíamos a pé destas festas, e só o frio e o ventinho característico nos perturbavam.
Bons tempos! As horas passavam devagar como o relógio carrilhão da casa da vovó.

Hoje o cenário é outro. Todos estão com pressa. Sumiu a época da conversa fiada. Recados, carinhos só pelo Whatsapp, pelo Face e pelos múltiplos recursos que a tecnologia, milagrosamente, oferece.

Coisas que nos favoreceram quanto às notícias de nossos familiares e à visão do mundo. Mas faz falta o papo olho no olho, a troca de abraços e apertos de mão.

A correria do dia-a-dia traz a ansiedade, o estresse. As pessoas dormem pouco, estão sempre cansadas. Há carros demais nas ruas, faltam vagas nos estacionamentos; filas enormes nos bancos, nos supermercados.

No meu entender, a pressa tirou a poesia da vida, a contemplação das estrelas, do pôr do sol, da natureza…

Vamos eternizar no coração o tempo que demorava a passar. Érico Veríssimo acreditava que o vento confundia o tempo.

Maria Augusta S. Alves

Sobre o(a) Autor(a)

Previsão do Tempo

TV Gazeta – Mil Edições