A Bondade é um substantivo abstrato que não é muito mencionado nos textos que lemos, nas manchetes dos jornais ou na Internet. Não que não seja praticado, mas tomou outros nomes mais atuais.

Sempre que penso em bondade, vem à minha mente a figura de São José. Seus gestos de forma desinteressada aceitando Maria como esposa e tornando-se um guardião daquele Menino que nasceu em Belém.

Porque bondade tem que ser assim, uma inclinação para o bem, sem a espera de uma recompensa.

Pensei neste assunto lendo definições comoventes de crianças de 5 e 6 anos sobre esta virtude. Elas vão ao fundo de nosso coração com seus conceitos infantis e, ao mesmo tempo, profundos:

“Bondade é abraçar um amigo que está triste.”
“Bondade é regar as flores e não pegar as borboletas.”
“Bondade é amar pelo coração.”
“Bondade é cuidar da mamãe do papai, dos bichinhos e das plantas”.

Coisas lindas que podem ser repassadas à vida adulta. No fundo, bem no fundo da alma humana, há uma semente do bem, um anseio de compartilhar com o irmão as suas dores, as suas lágrimas e nos alegrarmos com seus sucessos.
Há fatos heróicos como alguém se atirar n`água para salvar um semelhante.

Subir numa escada gigantesca e retirar uma pessoa presa num parapeito ou ameaçada por um incêndio. Podemos, no entanto, mostrar bondade num sorriso, num abraço, em descobrir dons físicos ou morais numa pessoa e salientá-los, elevando sua auto-estima.

Já vi jovens deixarem de viver sua própria vida para dedicarem-se a cuidar de um pai ou de uma mãe doente.
Avós, já extenuadas pela batalha da existência, assumirem netos órfãos ou abandonados.

A humanidade é boa.

Mesmo diante de fatos violentos, que nos horrorizam e amedrontam, onde o antônimo de bondade – a maldade – ganha enormes proporções, nós não perdemos a fé de que um dia Deus toque nestes corações empedernidos e os transformem em algo racional e humano.

Maria Augusta S. Alves