Não sou muito chegada às redes sociais. Tenho meus grupos de WhatsApp de familiares e amigos mais chegados. E só. Mas o celular teima em chamar a atenção às vezes para notícias de famosos, novelas, separações e outras.

Um dia destes os comentários raivosos, com incríveis erros de português, eram voltados para uma apresentadora, que estava substituindo a titular do programa.

Motivo: ela elogiou um ator presente porque soube que compartilhava serviços domésticos, junto à esposa.
E a fúria toda era porque o marido que ajuda não merece estes elogios, ele está fazendo a sua obrigação. Aí o feminismo entrou em efervescência.

Não julgo o mérito da questão e nem poderia, pois sou de outra época. Mas o que me estarreceu foi a avalanche de desaforos para a pobre moça, que está até num período difícil da vida, enfrentando um câncer.
Há julgamentos, palavrões neste e em outros comentários que, certamente, devem derrubar os autores das opiniões.

E agora, um flash que presenciei…

Cansada de percorrer um shopping, sentei num dos bancos do corredor, onde também estava um senhor idoso. De repente ele levantou-se e, acertando o seu celular, cavalheirescamente, fotografou uma senhora que saía de uma loja.

Via-se que fora muito bonita e ainda conservava a beleza no rosto sereno, sem maquilagem, e nos cabelos totalmente brancos.

Ao perceber que era o alvo da foto, sorriu e, aproximando-se do “paparazzi”, deu-lhe a mão e juntos e felizes saíram pelos corredores afora.

Outro flash foi feito por uma pessoa muito amiga.

Ela entrou numa loja procurando uma gravura que gostaria de colocar no topo da escada de sua casa.
Duas moças estavam, na ocasião, para atender. Uma delas, embrenhada numa procura no celular. A outra deu-lhe um seco bom dia.

Quando minha amiga falou o que buscava, ela apenas apontou para uma parede, onde estavam encostadas as gravuras.

A freguesa olhou-as e viu que não eram o que desejava. Perguntou se não havia mais. A moça respondeu que só xilogravuras e que essas eram bem caras. Como que duvidando das posses da senhora.
Então, minha amiga, com muito pena da dona da loja, que deveria estar ausente, resolveu aconselhar a funcionária.

Falando mansamente, explicou:

– Eu já tratei por muito tempo com o público e compreendi que um sorriso, um gesto de consideração com o cliente valem muito e promovem venda e satisfação para ambas as partes. Estou dizendo isso para teu bem.
Ela agradeceu e retrucou:

– Mas eu lhe dei bom dia.

Saindo da loja, a freguesa ficou pensando se serviu para alguma coisa sua crítica construtiva e bem intencionada.
Uma loja de departamentos estava com grandes ofertas em vestuário, bijous, artigos para presentes, enfim, todo o estoque. Certamente prevendo a mudança de estação.

A mulherada corria de um lado para outro garimpando artigos úteis e do seu interesse.

Eis que uma senhora aproximou-se, cúmplice, de mim com um colar de contas pretas na mão e segredou-me: – Vá ali naquela estante, tem coisas bonitas e baratas. Aproveite! Eu já estou comprando os presentes de Natal.
Meu Deus! Será que está tão perto assim esta época festiva? Senti o peso e o cansaço das tarefas que teria de enfrentar.

Desanimei e procurei a porta de saída.

Foi então que tive o flash mais lindo de todos. O sol ia-se despedindo numa confusão de cores, rosa e vermelho, e a primeira estrela surgindo no céu.

Maria Augusta S. Alves