A data 20 de maio não está assinalada nos calendários para registrar um feriado ou dia santo, mas é muito especial para o povo caçapavano.

É o aniversário de nossa já idosa Rádio Caçapava, que está completando 65 anos de atividades.

Ela foi no passado uma das únicas fontes de informação e de serviços.


De sua transmissão, muitas vezes prejudicada pela precária energia elétrica, nos vinham avisos importantes, notícias de calamidades e de interesse público, participações de falecimentos, de nascimentos, de bodas, convites para missas e novenas.


O povo do interior era fervoroso ouvinte, esperando recados, aguardando horários de chegada de mercadorias ou mesmo de pessoas da família, que desciam de ônibus.


As músicas e suas dedicatórias eram ouvidas nas longas tardes e nas noites com programas românticos, dirigidas por ótimos “speeckers” como se chamavam os locutores da época. Lembro Breno Pereira, José Freitas e Betinho Freitas, entre muitos outros.


Muitas vezes nossos queridos pais foram entrevistados no “Dia dos Namorados” para que falassem sobre a beleza da vida a dois, em que eram mestres.


Dá para imaginar a importância de nossa sexagenária emissora num tempo com telefonia quase inacessível, em que a televisão era uma remota promessa e nem se cogitava de um celular?


Saudemos, pois a valiosa Rádio Caçapava! Que até hoje presta inestimáveis serviços.


Também o centenário Club União Caçapavana festeja mais um aniversário nesta data: 20 de maio.


Ele que viu entrar por suas portas, em busca de entretimento e de alegria, acompanhados de suas esposas e filhos, aqueles senhores austeros que têm hoje emoldurados seus tretratos na Sala de Honra do clube.


Que viu lindas moças, rainhas e princesas de festas desfilarem por seus salões. Que assistiu ao início de namoros que se concretizaram em casamentos duradouros. Que cedeu lugar a animados carnavais, a bailes de Exposição, das festas de debutantes e a memoráveis reveillons.


Ele também é um patrimônio nosso, que muito prezamos e ao qual desejamos uma longa vida, na sua sede que foi oportunamente ampliada e modernizada neste monumento que nos orgulha.


Dia 20 de maio, há dezenove anos, partiu uma caçapavana de alma e coração – a nossa mãe, Aliny Alves Silveira -, conhecida por dona Quita ou vó Quita. A pessoa mais santa e pura que conheci. Totalmente despojada das coisas mundanas, viveu em função do outro, que poderia ser seu esposo, os filhos, netos ou a pessoa mais pobre e desamparada que precisava dela.

Lição de amor e ternura para seus descendentes, que continuam unidos, procurando honrar seu nome e de seu inesquecível companheiro de longa vida.

Maria Augusta S. Alves