A cena foi linda!
A menina entrou na minha sala e deparou-se com o presépio armado sob o pinheirinho de Natal.
Não se conteve, esticou a mãozinha e pegou o minúsculo Menino Jesus, que repousava no bercinho de palhas, improvisado. Expliquei-lhe que Ele gostaria mais de estar junto de seu papai e sua mamãe. Ela compreendeu e o devolveu ao seu lugar.

Ficou atenta aos outros personagens e me pareceu que simpatizou em especial com o pastor.
Alguém, tentando alegrar mais aqueles símbolos, acendeu as fartas e coloridas luzinhas da árvore. Clareou tudo, de repente.

Ela mostrou seu desagrado e pediu com delicadeza:
– Apaga estas luzes! Deixa o Menino dormir tranquilo.
Sensibilidade de uma criança de dois aninhos, a minha bisneta Rosa.

Outra cena que nos comoveu até as lágrimas: O Natal na Coxilha de São José.
Sentimos ali o verdadeiro sentido desta data tão santa. Todo o esforço, a arte, a solidariedade notavam-se naquelas luzes, nas imagens, no túnel iluminado que antecede a entrada da bucólica capela do padroeiro daquela região.
Estava com minhas duas filhas e a neta, e, ao ouvir a Ave-Maria pelos alto-falantes, nos abraçamos e vivemos, por instantes, o Natal do Menino Jesus.

Não sei de quem foi a iniciativa de fazer da Coxilha de São José a bela representação daquela manjedoura de mais de dois mil anos, que recebeu com humildade o Salvador do mundo. Nada sei das comissões, da organização e nem quem foi o artista que esculpiu em luzes a Nossa Senhora Aparecida ou o São José com Jesus no colo.
Tenho certeza, porém, de que foi a união e devoção do povo daquela comunidade que ergueu a obra natalina, tão linda.

Ali está o verdadeiro espírito de Natal. Mãos fraternas se unindo, corações batendo no mesmo compasso, determinação e ousadia.

Não precisamos ir a Gramado para preencher a alma e a mente com as belezas que atraem tanta gente, de todas as regiões do Brasil.

O que vale é o significado desta data tão abençoada.
E isso sentimos na simplicidade deste pedacinho de Caçapava, cheio de fé, que nos deu a maior lição de amor.

Maria Augusta Silveira Alves