A vida longeva é uma graça de Deus, mas tem seus percalços. A gente vai deixando para trás tantos sonhos, tantas esperas – e o mais triste – perdendo amigos queridos que tornaram mais leve nosso viver.

Este ano de 2018 vi partirem grandes amigas. A Sônia, aquela criaturinha ágil e divertida, que tinha um peculiar vocabulário para certas situações.

Foi embora, também, a Áurea, com quem convivi por longos anos. Fomos colegas na 1ª turma do Curso de Contabilidade.

Estudávamos juntas para as provas, acomodando os filhos menores em tapetes com brinquedos e joguinhos. Durante o curso ela teve o Nilinho e, no final do mesmo, formei-me com a Liège prestes a nascer.

Em Santana do Livramento, despediu-se a minha querida Lucy Abreu (nome de solteira), colega da Escola Normal “João Neves da Fontoura”. Com ela, fazia jornais clandestinos elogiando e, principalmente, criticando algumas medidas impostas na época.

Seu pai, Cel. Ciro Abreu, foi exonerado – não sei se é este o termo – por discordar do regime.

Anos depois, passada a ditadura, ele readquiriu todos os seus direitos e foi comandar naquela cidade de fronteira, onde casou as duas lindas filhas, Lucy e Alice.

Nossos últimos telefonemas eram só de recordações daquela Cachoeira antiga, dos namorados do “Roque Gonçales”, dos bailes do Comercial, embalados pelas inesquecíveis músicas do maestro Becker.

Agora, lendo o obituário da Zero Hora, vi a notícia da morte de outra colega, a Lucy Lopes. Não a encontrei muitas vezes, mas lembro sua figurinha na banda da Escola em que eu também tocava. Foi casada com o então locutor da Rádio Cachoeira, Lauro Schyirmer.

Fiquei relembrando e sentindo que as lembranças boas também afloram, quando voltamos ao passado.

Nossa banda era bem estruturada e rivalizava, principalmente com a da “Imaculada”. Tudo era feito em segredo para surpreender na hora do desfile.

Fazíamos um longo trajeto, naqueles setembros já quentes, até passarmos, dando o máximo, frente ao palanque oficial, na Sete de Setembro, sob as árvores frondosas e entrelaçadas da avenida.

Juventude, vibração, encanto com a natureza, futuro. Vida, enfim.


Maria Augusta S. Alves