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Um olhar para vida – E o sol fez a festa – Anna Zoé Cavalheiro

Um olhar para vida – E o sol fez a festa – Anna Zoé Cavalheiro

Parecia que estávamos no Hemisfério Norte. Igual a Londres, com seu fog, o nevoeiro típico de nossa cidade. Dias úmidos, sombrios, visibilidade mínima, a ponto de os carros terem de transitar de faróis acesos todo o tempo.

Ainda bem que nossos meios de comunicação não falharam. O celular, então, foi o mensageiro mais apreciado. Quantas amigas que moram sozinhas e não podem sair para o mau tempo! Não lhes faltaram mensagens de ânimo e muitos vídeos engraçados que não sei de onde saem. Brasileiro tem seus defeitos, e não são poucos, mas que criatividade para fazer a gente rir. De todos os fatos, até os mais preocupantes, ele faz uma paródia.

Nossas amigas solitárias não perderam o bom humor. Mesmo com a tragédia dos meninos presos na caverna na Tailândia, elas conservaram a esperança. E as orações foram ouvidas. Foi um desfecho maravilhoso e inesperado que mostrou ainda haver muita gente boa e solidária neste mundo. Os meninos e seu treinador estão salvos.

Fico pensando como a ciência e as técnicas modernas evoluíram e foram capazes de realizar tão assombroso salvamento. Ah, se todos os povos se empenhassem mais nessas descobertas para salvar a humanidade e deixassem de gastar recursos em coisas materiais, de lucro fácil e de pouco proveito para a maioria!.

A Copa do Mundo foi capaz de animar-nos até quase o fim. Reavivou nosso patriotismo que tem sofrido tantos golpes ultimamente.

Eis que o sol reapareceu, e foi aquela festa. Pessoas que nem se conheciam, ao passarem na rua, falavam da beleza do dia, da temperatura agradável!

Foi uma alegria ver roupas estendidas nos varais dos pátios ou até de sacadas parecendo bandeiras desfraldadas anunciando a vitória.

Por onde costumo passar, vi novamente aquele jovem lavando seu carro, com todo o empenho. Mania de limpeza, paixão pelo veículo ou falta do que fazer? Que maldade a minha. Desta vez, deve ter sido para proteger seu precioso bem dos estragos da chuva.

Aquela idosa ao meu lado na Lotérica começou a rir e a apontar para as pessoas entretidas com seus celulares. Nunca que vou aprender a lidar com eles, disse. Também, nem preciso. Quando quero, vou ao muro que separa minha casa da do meu filho e grito por ele ou pela nora. E eles me atendem logo.

Feliz velhinha que pode contar com os seus. Mas se não fosse esse aparelhinho, pobres de nós nos dias sombrios que vivemos.
Mas que é melhor encontrar as pessoas ao vivo e poder olhar nos seus olhos, apreciar o sorriso e a voz, isso é verdade. Viva o sol que nos proporcionou esta festa!

Anna Zoé Cavalheiro

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