Maria do Carmo Rodrigues da Silva, 64 anos, casou-se duas vezes e é mãe de 12 filhos. Ela cresceu em meio a muitas dificuldades, aos oito anos foi trabalhar em uma casa de família em Porto Alegre para mandar dinheiro para ajudar a mãe a criar seus irmãos.

Aos 16 anos dona Maria voltou para Caçapava, foi quando trabalhou em uma olaria. Logo em seguida foi para Guaíba trabalhar no plantio de Acácia, onde teve as filhas gêmeas no meio da plantação.

Mas ela não criou somente seus filhos. Ajudou sua irmã que teve câncer a criar o filho, na época com 17 anos. O jovem tinha problemas de saúde. Após a morte da irmã, ela cuidou do sobrinho até os 33 anos, quando faleceu.
Depois teve que cuidar de seu ex-cunhado com problemas mentais, após a clínica onde ele estava internado em Cachoeira fechar às portas.

– Acredito que este é o meu propósito na Terra. Cuidar dos meus e dos filhos dos outros. Para mim, mãe tem que ser guerreira e isto eu sou. Apesar das dificuldades da vida, não fico me queixando, trato de achar uma maneira para resolver um problema que surge. Não tenho tempo para ficar lamentando – disse do Maria.

Em meio as dificuldades, um fato ocorreu para alegria da aposentada. Ela foi contemplada há três anos em um programa habitacional da Prefeitura e enfim consegui adquirir sua casa própria na rua Aparício Varela, 43, no bairro Cidade Jardim.

– Pensa que a luta terminou. Agora estou batalhando para construir a casa de alvenaria do filho, que mora com a mulher grávida e três filhos em uma casa de madeira, onde chove mais do que não rua. Dois políticos prometeram nos ajudar, mas tu sabe como é, na hora dizem que vão, mas depois começam a dar desculpas, mas não vou ficar esperando, vou correr para realizar o sonho do meu filho –ressaltou.

No domingo (13), Dia das Mães, dona Maria do Carmo teve a casa cheia. Filhos, genros, noras e netos almoçaram com ela. O almoço teve churrasco e bolo para homenagear a matriarca que pretende viver até os 90 anos.

– Meu avó viveu até os 115 anos, meu pai até os 110. Eu não posso morrer antes dos 90. Sou o esteio da família e tenho muita coisa para fazer para meus filhos. Afinal, mãe é aquela que batalha para ajudar os filhos e ensina que o respeito e a confiança vem em primeiro lugar, sem isto não conseguimos nada vida, foi assim que aprendi com meus pais –declara a mãe guerreira.