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Batata assada

Batata assada

A maioria dos leitores destas minhas croniquetas sabe que eu me criei “pra fora” e me foi muito difícil desacostumar daquele jeito de viver mais rude e mais sintonizado com as coisas da natureza: com as plantas, com as frutas, com os animais domésticos, com a água da sanga, com os banhos de açude, com o leite na mangueira, com a carne de ovelha e de galinha crioula, com o cheiro do suor dos cavalos, etc.

O pequeno produtor rural do meu tempo era obrigado a valorizar os produtos da terra, porque o dinheiro era escasso e difícil de ganhar, e a subsistência da família obrigava que a alimentação fosse à base daquilo que se produzia na propriedade, com o suor e os calos das mãos de muitas pessoas. Recorria-se ao consumo de mandioca, batata, abóbora, mogango, verduras, leite, ovo, feijão, farinha de trigo e de milho moídas no interior.

Eu sempre comia ovo frito no café da manhã, e minha mãe cozinhava só com banha de porco. Conheci algumas casas nas quais o café era adoçado com mel de abelha retirado (melado) do oco das árvores silvestres, sem máscaras, só com a fumaça produzida pela queima de pedaços de trapos, espremido na mão e coado num guardanapo branco feito de saco de farinha de pão.

Quando eu era estudante em Caçapava e vinha de fora, depois de férias e/ou feriados, por muitas vezes, não trazia dinheiro no bolso. Trazia um balde de ovos para vender e arrumar alguns trocados, ou queijo, ou banha e até alguns quilos de feijão novo.

Talvez por isso eu ainda guarde comigo alguns hábitos camponeses para certos tipos de alimentação. Não passa um verão que eu não consuma alguns mogangos caramelados com leite; mandioca com carne de panela; batata doce assada; e pele e/ou pé de porco no feijão.

Em 2014, quando morei em Porto Alegre, descobri um mercadinho, daqueles que vendem de tudo, chamado Mercado Dois Irmãos, próximo/paralelo à parte alta da Avenida Borges de Medeiros, onde vendiam batatas doce assadas com casca e tudo. Assadas no forno da padaria e que ficavam expostas em cima do balcão. Quase todos os dias, de tardezinha, quando saía do serviço, eu passava por ali para comprar uma batata e sair comendo rua afora, em plena capital do Estado, como se estivesse na minha casa do interior, onde passei largos anos da minha juventude.

Agora, descobri que essa nossa batata é rica em vitamina “C” e em potássio, que é originária dos Andes (Chile, Bolívia), e que um quilo dela tem apenas oitenta calorias. Por certo, servia de alimento para as antigas populações indígenas que habitavam, mesmo antes da chegada dos espanhóis, aqueles altiplanos mineralizados.

O que não descobri ainda é porque dizem que a “batata dele está assando” quando paira ameaça de alguma coisa ruim para o lado de algum vivente do tipo desavisado, se tal leguminosa é tão apreciada e nutritiva, daqueles alimentos que só fazem bem à saúde e são de baixo custo. Por enquanto! Capaz de aumentar com o frio.

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