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Não basta ter fé

Não basta ter fé

Noutro dia desses passados, um dos primeiros de julho, fui até a lotérica pagar alguns boletos com vencimento mensal: água, luz, telefone, internet, etc., com o dinheirinho mais ou menos contado. Aí a moça que atende no guichê preferencial para idosos, gestantes e assemelhados, com extrema atenção e boa vontade, ofereceu-me uma oportunidade para enriquecer até mesmo sem precisar escolher os números para apostar, e lá se foram alguns trocados a mais do fundo do bolso do aposentado. A gente aposta, nesses casos, acreditando que a sorte está batendo à nossa porta e não devemos ser displicentes para com aquela oportunidade caída do céu. É como se o cavalo estivesse passando encilhado e a gente não montasse.

Gosto de executar essa tarefa porque, naquele local, sempre se encontram pessoas conhecidas e rola um papo a mais para matar um tempo e atualizar as fofocas da paróquia. De vez em quando, acontece algum imbróglio por suposta furada de fila ou terceirização dos encargos, mas, normalmente, “cosa poca”. Sem contar os moradores do interior que vêm ali para pagar as contas e relatar alguns causos do tempo e das criações. Até a década de 2000/2010, todos esses serviços eram realizados exclusivamente nos bancos, com filas enormes.

Pois, nesse dia, enquanto aguardava a minha vez, identifiquei, na fila do guichê exclusivo para apostas, um dos vigários da nossa cidade. Bem tranquilo, como qualquer outra pessoa, sem pressa para fazer uma fezinha. Nem parecia que estava ali para enricar, pelo menos na esperança de quem aposta, respeitando a probabilidade mínima, mas possível.

Me parei de curioso diante de tamanha surpresa e quebra de rotina. Antes, eu imaginava que os papas eram nomeados por Deus, que os santos da Santa Amada Igreja eram somente os apóstolos de Cristo e que os padres e outros religiosos não lidavam com apostas, namoros ou outros devaneios mundanos.

Há poucos anos passados, tivemos um reverendo totalmente integrado com a nossa comunidade, dançando, bebendo vinho fora da missa e “trovando” pelos botecos da cidade. Sempre levando o santo nome de Deus e a palavra do salvador a quem dela precisasse. Era até respeitado por esse seu comportamento popular e humano.

Passados alguns dias, comentei com algumas pessoas o fato de encontrar o Seu Vigário fazendo uma fezinha na lotérica, como faz um grande número de pessoas normais. Concluímos que ele, que não é uma pessoa normal, pode sim realizar as suas rotinas particulares fora da igreja como qualquer outro cidadão emancipado e pagador de impostos.

Certo que ao religioso é conferido o título de “pastor das ovelhas de cristo”, essas que andam cada vez mais desgarradas pelos caminhos tortuosos do mundo de hoje, o que lhe confere autoridade para orientar, aconselhar e até redimir nossos erros (pecados), na condição de representante autorizado pela instituição mater do catolicismo.

Eu só não entendo ainda é por que os padres devem morrer celibatários, se este fato contraria a lógica da perpetuação da espécie humana. Se todos os homens do planeta Terra fossem sacerdotes, não poderia existir a reprodução familiar, nem a evolução da espécie do bicho homem. Pelo menos as naturalmente legalizadas, já que alguns, por vezes, e raramente, pulam as cercas dessa redoma excomungada.

Pensando bem, concluo, à luz do acima relatado, que uma fezinha no varejo, na Mega-Sena, por exemplo, não deve, por si só, diminuir a fé maior da salvação da alma. Até para os profissionais da FÉ é permitida uma FEZINHA.

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