Selecione a página

Nem toda lembrança é saudade

Nem toda lembrança é saudade

Juremir escreveu certa vez, no Correio do Povo, que saudade é “uma tristeza suave que se quer sentir em alguns momentos“.

Quando se é noviço na vida, as expectativas se misturam com os planos, e os rumos se confundem e se entrelaçam com variantes alternativas disponíveis e alcançáveis para prosseguir. Com o passar do tempo, não é raro nos darmos conta de que aquilo que nos pareceu mais conveniente, numa época de imaturidade, veio a se constituir numa opção equivocada, quando já compreendemos melhor as curvas sinuosas da existência. Quando adquirimos experiência da vida.

Escolhemos profissão no verdor da tenra idade, e muitas vezes avaliamos que as aparências daquilo que ainda não experimentamos na prática, que imaginamos ou desejamos, nos pareça mais atrativo. É o mesmo que escolher parceiro/a somente pela beleza física. Há pessoas que escolhem carreiras pelo glamour que podem oferecer, quando a importância do fator econômico, quase sempre, tem peso preponderante nessa balança da sobrevivência.

É preciso ganhar dinheiro para poder realizar os outros planos familiares no âmbito da nossa sociedade consumista. Embora tenhamos uma vida de sucesso na profissão que escolhemos trilhar, por vezes, sentimos um baita arrependimento de não ter tomado outra direção em certa quadra da existência. É quando fazemos uma autocrítica da nossa vida, de um tempo que já se foi. E dói.

Existe outro fato que aporrinha a cabeça de um velho aposentado inativo: é a situação aquela de um, que já tendo conquistado todos os objetivos importantes da vida, se considera sem ambições. Sem aqueles sonhos que já lhe ocuparam o tempo, viraram planos, mas que já passaram e se tornaram sem importância, doravante.

Aqueles que viveram com intensidade e atingiram os patamares propostos não aceitam a sombra da espera infinita à beira do caminho. É ruim para um mais velho ficar no aguardo de que o tempo escoe e ele apenas observe, inativo, em contemplação, o findar dos seus dias, curtos ou longos que sejam.

Ocupar-se somente das lembranças boas, mas que não deixaram saudade  profunda, não preenche os dias de um fora dos trilhos. É preciso saber iludir-se (a si mesmo), nem que seja na enganação de um sonho difícil de realizar: um livro, uma viagem, um novo diploma para encher linguiça, uma nova convivência, um novo amor, quem sabe?

É por isso que digo que nem toda lembrança é saudade, se ela não tiver nos deixado uma marquinha que seja de quero mais. Se elas nos servem agora apenas para despertar angústias e mágoas estradeiras, o bom mesmo é deixar pra lá. No final, são tantas coisas que já se foram e que nunca mais nos acompanharão, que o melhor que podemos fazer é esquecê-las. Eu mesmo vivo fingindo que não me lembro mais de muitas coisas para não ter de andar chorando pelos cantos… Inclusive de algumas dívidas, monetárias ou sentimentais…   kkkk

Sobre o autor

Ouça nosso Podcast

TV Gazeta – Vídeos

Previsão do Tempo

Publicidade

Publicidade

RESULTADOS

Signos

Publicidade

Publicidade