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Pelas estradas da vida

Pelas estradas da vida

Algum de vocês que me leem já saiu assim sem rumo, sem lenço e sem documentos, a procurar percalços, como um bom motivo para encontrar soluções custosas, embora nem sempre sofridas? Superações para si mesmo?

Pois eu já. E muitas vezes, ao que me lembre. Solito e sem rumo, nas andanças da vida, ultrapassando curvas e desafiando o corriqueiro cotidiano de pessoa comum que não gosta de ficar quieta por muito tempo. Inquieta? Irrequieta? Sei lá.

Assim como quem “campeia” uma ovelha abichada nas orelhas que se enfiou na capoeira, fugindo do barulho do mundo. Misterioso para os que buscam decifrar os sinais do tempo que escapa pelos nossos dedos das mãos frouxas, que já não afirmam mais as rédeas de um cavalo muito manso, tranqueador. Demasiado silencioso para quem chega de fora, como se fosse um sapo novo de outro poço.

E lhes afirmo, sem nenhum medo de errar, que é muito bom e nos faz bem pra alma. Acalma e tranquiliza, quando se entrevera com as lembranças antigas de lugares e gentes que já não estão mais por aqui. Assim como um potreiro antigo, com touceira de taquareira e sanga de águas claras, que foi todo lavrado para plantar soja, a cultura da moda, que desmancha lembranças em nome da urgência de ganhar mais dinheiro a cada ano ou safra, sem se importar com o tamanho da dívida bancária, inebriando pela exuberância de ser um grande produtor a qualquer custo. Por vezes, produtor de sonhos somente.

É a mesma estória de ficar triste quando canta. Porque aquilo que se grita da boca pra fora é produto de um sentimento significativo que, em certo momento, floresceu na mente de algum poeta que parou para registrar no papel as incertezas que lhe iam na alma de viandante exilado. Seus desassossegos, suas ânsias contidas pela sofreguidão da labuta diária.

Quantas tropeadas já fiz pelas estradas dobradas do meu pensamento, quando encasulado, peleando comigo mesmo, no silêncio. Saí por aí a camperear lembranças, sem rumo ou tempo marcado para voltar. Sem levar cavalo de muda, nem égua madrinha para liderar a tropilha gaviona das reminiscências que não aceitam cabrestear. Por muitas vezes, sesteei debaixo de sombras antigas, mateando ensimesmado com as coisas da vida que não conseguimos entender direito. Assim como uma ponta de gado que, de cola erguida, vai se embrenhar no mato quando as tempestades se armam no infinito e a chuva se vem. Ou que pateia mutucas na beira d’água em tempos mormacentos de verão.

E ainda me atrevo a cantar, para espantar assombrações gavionas:

 

“Talvez o mundo se negue a ‘trocar de ponta’

Por ser só pedra que rola e não cria limo.

Talvez o sol que no horizonte já desponta

Seja a vereda do tranquear do meu destino.”

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