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Três meses de guerra

Três meses de guerra

Se tivessem previsto, ninguém acreditaria. Invasão do território de um país rico, desenvolvido e produtivo pelos tanques e mísseis de longo alcance de um país vizinho, também rico, também desenvolvido e também produtivo, apesar das adversidades do clima. A Rússia invadiu a Ucrânia, lá no distante Leste Europeu.

Que horror. Quando as guerras acontecem na África ou no Oriente Médio, não damos grande importância, porque são conflitos tribais ou religiosos, localizados longe da gente. Guerra de fanáticos, de outra cultura e de valores diferentes dos nossos. Tipo das últimas no Sudão e na Síria, onde os nativos se matam e as potências ricas do ocidente aproveitam para vender armas e fazer negócios monstruosos às custas da desgraça alheia, dos pobres.

Mas agora, nesta não. Parece que foi por expansão ou manutenção do poder regional. Na divisa do território sob controle e proteção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Quase metade da população ucraniana de 40 milhões de seres já fugiu do país em busca de segurança. Milhares de soldados dos dois beligerantes já morreram, as cidades sofrem danos materiais quase que irreparáveis, abaixo de bombas e mísseis, e nem se preocupam com a vida dos inocentes que nem participam diretamente da luta. São os civis, velhos, mulheres e crianças que a Convenção de Genebra diz proteger, mas que, na verdade, no furor da imbecilidade, perdem suas vidas, casas, bens e até a dignidade. Alguns perdem até a razão de viver, sem esperança nenhuma.

Eu fui um daqueles que acredita que, depois das barbaridades da Segunda Guerra Mundial, 70 anos atrás, com campos de concentração e extermínio massivo de civis judeus, havíamos amadurecido e o mundo moderno não permitiria que mais uma guerra estúpida dessas fosse acontecer. Alguns ingênuos pacifistas, inclusive, continuam acreditando que nem precisaríamos mais armar nossos exércitos e treinar nossos combatentes em tempo de paz, porque os tratados assinados entre países e acordos de convivência patrocinados por organismos internacionais seriam suficientes para evitar conflitos pelo mundo civilizado afora.

O mundo ocidental liberará recursos para reconstruir a Ucrânia a partir do momento em que for assinado o tratado de paz, mas a Rússia que vai gastar os tubos de dinheiro para custear suas despesas com equipamentos militares perdidos, munições disparadas e combustíveis consumidos, terá que penar por algum tempo para reatar seus negócios com antigos parceiros que, hoje, lhe retaliam em protesto às regras internacionais infringidas, acarretando muitas dificuldades e perdas para sua população civil, inclusive pelas mortes ocorridas.

Vladmir Putin, o todo poderoso presidente da Rússia há mais de vinte anos, anexará territórios ucranianos ao já vasto território russo e abrirá uma saída naval para o ocidente, ao sudoeste. Também deseja que a Ucrânia seja sempre sua aliada política (e que não entre para a Otan) para afastar as armas ocidentais das suas fronteiras, que foi por onde foi invadida nas duas Guerras Mundiais já ocorridas. A Ucrânia é, para a Rússia, um estado tampão entre as Tropas da Otan e suas fronteiras terrestres. Assim como o Uruguai entre Brasil e Argentina.

A luta pelo poder, minha gente, vai um pouco além das simples políticas nacionais e depende do que vai na cabeça dos governos de cada nação.

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